segunda-feira, 22 de dezembro de 2008

Poema de Natal


Para isso fomos feitos: Para lembrar e ser lembrados
Para chorar e fazer chorar
Para enterrar os nossos mortos...
Por isso temos braços longos para os adeuses
Mãos para colher o que foi dado
Dedos para cavar a terra.
Assim será nossa vida: Uma tarde sempre a esquecer
Uma estrela a se apagar na treva
Um caminho entre dois túmulos ...
Por isso precisamos velar
Falar baixo, pisar leve, ver a noite ,dormir em silêncio.
Não há muito o que dizer: Uma canção sobre um berço
Um verso, talvez de amor
Uma prece por quem se vai ...
Mas que essa hora não esqueça
E por ela os nossos corações
Se deixem, graves e simples.
Pois para isso fomos feitos: Para a esperança no milagre
Para a participação da poesia
Para ver a face da morte ...
De repente nunca mais esperaremos...
Hoje a noite é jovem; da morte, apenas nascemos, imensamente.


*Vinícius de Moraes*

3 comentários:

Leonardo disse...

Salve Vinícios!

PS: Os braços são de um realismo, não?

Namastê!

Magui disse...

Há controvérsias.
Feliz 2009!

Outras memórias disse...

Essa partilha faz bem nessa entrada de ano...

Muita paz...
luz
e ternuras.

Beijos e um novo olhar para o Novo ANo!