segunda-feira, 24 de novembro de 2008

Sósia


Mas que desagradável mania
tem a humanidade
de se tornar subitamente parecida
com o amor da gente:
Todos roubam a cara e os particulares sinais
do amor que a gente espera
do amor que a gente erra.
De tanto confundí-lo de longe na rua
vou mamando a poesia desse equívoco
como quem menstrua em lugar de filhos.
A saudade arma um circo onde
palhaços e garis
têm cara do com quem eu seria feliz.
Diante do meu nariz, vou jurando que é ele.
Cada rosto, cada passo, cada traço
vou jurando que é dele
e me engano nas ruas
bebendo nesse diapasão
de uma perigosa e destilada bebida
que se toma de ilusão.

*Elisa Lucinda*

Um comentário:

Círculo Literário disse...

Pensamentos relevantes...um espaço especial que merece ser visitado mais vezes!!!