sexta-feira, 22 de fevereiro de 2008

Soneto da esperança perdida

Perdi o bonde e a esperança.
Volto pálido para casa.
A rua é inútil e nenhum auto
passaria sobre meu corpo.

Vou subir a ladeira lenta
em que os caminhos se fundem.
Todos eles conduzem ao
princípio do drama e da flora.

Não sei se estou sofrendo
ou se é alguém que se diverte
por que não?
na noite escassa

com um insolúvel flautim.
Entretanto há muito tempo
nós gritamos: sim! ao eterno.



*Carlos Drummond de Andrade*

5 comentários:

Ricardo Rayol disse...

tentei escrever uma réplica mas ficou horrivel, eu nunca abraço a desesperança.

Leonardo disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
garrafa e mar disse...

O Carlos vai ter q me perdoar, mas ...
Paulo Leminski é fundamental!

3,907 abraços líricos pra vc.

Leonardo disse...

Deseperança é a fulga dos fracos, impotentes de uma melhor análise de seus reflexos encontram na incompreensão do mundo o fundamento de seus medos em direção a uma auto-crítica...

Tenos disse...

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